quarta-feira, 25 de julho de 2012

Frase da semana


Naqueles dias turbulentos ele não deveria atacar Lula e Dirceu a um só tempo. O Lula não sabia nem onde apagava a luz, o Dirceu tinha controle total do governo. Então o alvo foi o Dirceu.
Luiz Barbosa, advogado de Roberto Jefferson no Mensalão, ao dizer que aconselhou seu cliente a negar a participação de Lula no mensalão




Via Blog do Noblat

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Fábrica de políticos


“Propaganda é a alma do negócio”. Um tanto quanto clichê, mas, no momento, é a frase que melhor se encaixa na descrição do sistema eleitoral brasileiro. No cume da era das redes sociais, tecnologia e da globalização, o modo de como os candidatos se apresentam, ou melhor, se vendem ao público – digo população – faz toda a diferença.

Considerada o quarto poder, a mídia é a ferramenta ideal para tal processo de divulgação da imagem dos políticos. Tanto a rádio, a televisão, meios impressos e a internet – focando nas redes sociais, como o Facebook, Twitter, Orkut entre outras, fazem parte dos recursos utilizados pela equipe marketeira dos candidatos.

Analisando bem, esse processo nada mais é do que uma junção de poderio que inclui, ainda, equipes especializadas em marketing político, na qual possuem a função de elaborar estratégias capazes de fazer com que seu candidato seja ao menos bem visto pelos eleitores. E é aí que chegamos ao ponto principal: as eleições não passam de uma competição de imagem, popularidade e status. Vence o candidato cuja equipe marketeira conseguiu fazer com que a população acreditasse em todo o discurso demagógico.

Se pudessem, os políticos ganhariam eleições sem ao menos disputá-las.

Um fato que podemos avaliar para mostrar esse aspecto do qual é relativo ao modo como as campanhas eleitorais são concebidas e organizadas, é o famoso encontro entre o ex-presidente Lula e Paulo Maluf, que selou o apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo, que enseja diversas discussões a respeito de nosso sistema político.

Como em qualquer outro lugar, aqui no Brasil é usada uma lógica pouco usual: ao contrário de seguir a regra da economicidade - em que se busca o mínimo desperdício de recursos para a consecução dos fins pretendidos -, prevalece o princípio da redundância.

Em suma, é mobilizado muito mais recursos para alcançar os objetivos estabelecidos. Sendo assim, investe-se além do que é racionalmente exigido. Isso ficou claro no debate sobre o tempo de propaganda eleitoral que o PT ganhou aliando-se a Maluf. Afinal, quanto mais espaço e tempo disponíveis, seja qual for o tipo de mídia, melhor para o candidato.

Para se ter ideia do quão valioso é um mísero tempo na televisão para a propaganda eleitoral, Lula se dispôs a um “sacrifício de imagem” posando ao lado de um político contra quem pesam graves denúncias, para receber, em troca, 1min36s de televisão.

Daí surge à dificuldade de muitas pessoas - até mesmo observadores experientes - entenderem este gesto do ex-presidente. Valeria a pena se autodenegrir por uma campanha política, até então, alheia?



Por Luã Quintão

LULA, MALUF & HADDAD

"Tu é nosso e nós é teu"
    VIA OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

Assim como a foto em que Lula confraterniza com Paulo Maluf, a abstrusa frase do título (constante de um diálogo flagrado no “escândalo Cachoeira”) permanecerá como índice da falência moral do espaço público brasileiro.Índice, na análise dos discursos, é um dos três tipos de signos possíveis, ao lado do ícone (referente ao funcionamento da imagem) e do símbolo (domínio dos sistemas linguísticos predominantes no discurso cotidiano).
Passando por cima de maior detalhamento acadêmico, assim se pode resumir o conceito: para responder a uma pergunta do tipo “onde está o incêndio?”, o indivíduo recorre a um índice, que consiste em apontar para o fogo com o dedo, estabelecendo uma conexão dinâmica entre o dedo e o incêndio. Há um laço existencial, de contiguidade entre o índice e a referência. Os sintomas são sempre indiciais.
Isso explicado, permitimo-nos acrescentar aos dois já mencionados, um terceiro índice, vindo do exterior: Um artigo do jornalista David Carr no The New York Times(11/6/2012) relata uma “preocupação crescente no sentido de que a queda dos valores e a falência dos modelos comerciais de muitos jornais americanos possam levar a uma situação em que interesses econômicos comprem jornais e os usem para praticar uma agenda política e comercial”.
Evidentemente, essa agenda sempre esteve implicada em qualquer empresa jornalística. Mas o que o articulista está pondo em questão é a exclusividade da agenda, ou seja, jornalismo futuro como nada mais além disso. Segundo ele, esse futuro parece ter chegado a San Diego, na Califórnia, onde o diárioThe U-T San Diegoacaba de ser comprado por um empresário local – Douglas F. Manchester, hoteleiro e incorporador imobiliário – que se apresenta como uma espécie de folheto para os seus vários interesses. Manchester é contra governo de bem-estar social, cobrança de impostos e casamento gay. É a favor da especulação imobiliária na reforma do centro de San Diego.
Consciência moral
Ora, esse tipo de interesse sempre pôde estar implícito no funcionamento de qualquer corporação de mídia, como bem se sabe. O que há de novo aqui é que Manchester e seu sócio John T. Lynch são explícitos quanto aos seus motivos: “Nós não pedimos desculpas. Estamos fazendo o que todo jornal deve fazer, ou seja, tomar posições. Somos pró-conservadores, pró-negócios, pró-militares”. Editores que pensem o contrário são demitidos.
David Carr explica a sua indignação:
“Muitos de nós cresceram em cidades onde o jornal diário estava associado a líderes cívicos, e o interesse privado se expressava geralmente na página editorial. Uma vez por outra, a apuração devida podia ser suspeitamente ignorada na cobertura, mas as páginas noticiosas eram exatamente isto, notícias”.
Agora, como precisamente se relacionam o jornal de San Diego, a frase abstrusa do escândalo e a foto Lula-Maluf? Ao olhar do observador, no fenômeno generalizado da queda das aparências morais.Moral, bem se sabe, é um conjunto de prescrições normativas, consideradas a partir de coordenadas de tempo e lugar, relativas à formação do caráter e da conduta dos indivíduos. As prescrições aparecem socialmente como regras, manifestadas em atitudes e comportamentos capazes de orientar a vida individual e coletiva, com referência a valores aceitos pela comunidade.
Sempre se pode questionar a validade de um determinado ordenamento moral; e, no fogo das mutações ditas “pós-modernas” (revolução sexual, liberação dos costumes etc.), a moralidade andou em desprestígio, ganhou uma aura de caretice. Mas é inquestionável a força da relação entre consciência moral e a sociedade que se deseja. A moralidade está posta em relação com a comunidade, entendida como o locus da reciprocidade entre os atores da vida social.
De fato, para a maior parte dos pensadores sociais do século 10, própria ideia de comunidade humana é sustentada pelo pressuposto de um compromisso “moral”, entendido como “aspiração” original e civilizada. Por isso, a consciência moral é necessariamente uma instância reflexiva. No horizonte do jornalismo e da alta política, sempre se tentou ter à vista uma boa medida de consciência moral ou, pelo menos, manter as aparências de moralidade como um cuidado pedagógico para com as gerações futuras.
Tempo na tevê
Ora, com a contínua perda de força axiológica (o enfraquecimento dos valores) das estruturas sociais, as ações não têm hoje por que se orientar na direção de grandes fins ou de horizontes esperançosos. A contemporaneidade parece não fazer outra coisa, senão substituir o antigo escopo ético-social por critérios afins à lex mercatoria, a economia de mercado, onde predominam o dinheiro e a mercadoria como conteúdos fundamentais do espírito público. Sem esse mesmo escopo, também a democracia representativa perdeu os limites dados pelas próprias aparências de consciência moral. A consciência já não dói mais.
Daí, o retorno da indignação – a velha e “careta” indignação! – como recurso político (ainda que precário) das massas, sobretudo dos jovens nas praças orientais e ocidentais, contra a desorientação existencial provocada pela falência dos valores. Em seu artigo, David Carr, o jornalista não faz muito mais do que se indignar. É o mesmo sentimento da política Luíza Erundina e dos leitores de jornais frente à foto em que Maluf, abraçado a Lula e ao aspirante Fernando Haddad, sorri ante a sua agora plausível recomposição de imagem na cena pública. Afinal de contas, o que é a moral frente a um minuto a mais de tevê?
Os jornais não transcreveram uma frase sequer do que realmente se conversou. É analiticamente viável, portanto, levar a sério o conceito de índice para sugerir como legenda da foto a frase emblemática: “Tu é nosso e nós é teu”.

domingo, 4 de setembro de 2011

Breve história de um vencedor


Igor Ribeiro, 18 anos, estuda Letras–Alemão na Unisinos. Gosta de atuar, conversar, ler e estudar. É uma pessoa comum, como qualquer outra. Mas o seu passado foi marcado por agressões: Igor era vítima de bullying.
Desde pequeno, Igor sofria com agressões vindas de colegas de classe. Sempre dedicado, se destacava nas aulas e acreditava que o motivo de ser atacado, era esse. “Desde pequeno eu sofro com o bullying, pelo fato de eu ter uma maneira diferente de pensar sobre as coisas”, disse.
O tempo passou, e muitas coisas mudaram em sua vida. Porém, as agressões continuaram o acompanhando. No ensino médio, Igor conseguiu uma bolsa em uma escola particular, e foi lá que elas se tornaram mais frequentes e graves. Ele era exposto a várias situações constrangedoras: era trancado dentro do banheiro, pendurado de cabeça para baixo em lugares altos e empurrado na saída da escola. A partir daí, o jovem começou a se isolar, pois o medo de sofrer agressões físicas e morais era grande.
Igor era uma pessoa simples e humilde, ele não entendia porque sofria tantas agressões. Tudo o que ele mais queria, era ter alguém para conversar.
“Eu nunca entendi porque as pessoas sempre tentaram me rebaixar, me fazer sentir sozinho e sem ninguém. Nunca entendi por que elas não gostavam de fazer trabalhos comigo, eu sempre sobrava. Será que é por que sou feio? Será que eu sou um idiota? Será que me visto mal?” 
Essas dúvidas fizeram de Igor, uma pessoa deprimida e solitária. Sem autoestima, sua vida entrou em colapso. Ao se olhar no espelho, ele se sentia feio, achava que nunca encontraria alguém que gostasse dele. Chegou até pensar em desistir da bolsa de estudos. As agressões fizeram ele se sentir fraco e desamparado.
Igor em uma de suas apresentações de teatro

Mas, ele não se rendeu. No fundo, sabia que se aceitasse essa situação, estaria também aceitando a derrota. Ele estava ciente de que as agressões iriam continuar, mas que sua felicidade só dependia dele mesmo. A partir daí, a situação começou a mudar: Igor começou a confiar em si mesmo. Apesar dos insultos, buscava sempre as próprias qualidades e não deixava que nada o abatesse.
 “Mesmo que todos me chamassem de feio, ridículo, idiota, eu me chamava de bonito, humilde, bom, virtuoso, honesto. Comecei a me valorizar e a perceber que a vida era muito mais do que aquelas pessoas, e que elas não passavam de pessoas inseguras, se escondendo atrás da riqueza e das aparências.”
Igor iniciou uma nova fase da vida; se dedicou mais aos estudos e foi aprovado em primeiro lugar na Unisinos, onde conseguiu uma bolsa de estudos. Além disso, também foi vencedor de um concurso de leitura em alemão, idioma pelo qual é apaixonado. Ele é prova viva de esperança e superação. Igor nos deixa uma lição valiosa: de que vale a pena lutar pela felicidade e que nunca é tarde para recomeçar a viver.
“Essas vitórias foram uma superação pra mim, e serviram para mostrar aos meus agressores que eu nunca vou desistir de mim. Eles que façam o que quiserem, a minha vida tem valor e eu vou lutar pelos meus sonhos. Agora, começo uma nova etapa em minha vida, uma etapa cheia de vitórias e sucesso.”

Boas novas: o blog está de volta.

A vida é repleta de mudanças e exige um pouco de tempo para se adaptar a essas transformações. Vivenciei e vivencio isso.

Iniciei uma nova fase em minha vida, onde praticamente tudo é inédito. Mudei de cidade, comecei a morar sozinho e entrei no curso de Jornalismo. Logo, novos deveres e obrigações surgiram, fazendo com que a falta de tempo e até mesmo de ideias, me fizessem afastar do blog.

Já curti, já chorei, já sorri, já errei e já aprendi. Com os pés no chão, voltarei a escrever no blog, que assim como eu, está em uma nova fase, agora com textos mais ricos, coerentes e objetivos.

 Enfim, o MOB NOW está de volta para mobilizar. 

sábado, 21 de agosto de 2010

Serra - Como o Lula

Serra esta precisando recontratar sua equipe de marketing...
Depois do sucesso da internet “Serra comedor”, Zé (como é chamado em sua campanha eleitoral) tenta se comparar ao Lula, mesmo depois de tanto o criticar.

"Quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá”.

Com esses marketeiros, Dilma nem irá precisar investir em propagandas mais. Serra anda pecando muito em sua campanha eleitoral, não sei bem o que ele pretende com isso, talvez se misturar com a “molecada” ou dar pinta de pedreiro, mas o apelido “zé” não vai virar bordão.
Sem falar da favela cenográfica que é usada como plano de fundo. Está na cara que tudo é forçado.
Mas, o pior de tudo, é essa mera comparação entre ele e o Lula. José, que sempre o criticou, agora tem a audácia de tentar associar sua imagem ao presidente, e ainda citá-lo em seu jingle macabro. Será que ele não percebe que pode perder votos? Muitas pessoas não gostaram do governo Lula.

Na metade do programa eleitoral do serra, já estou cochilando. Então entra o lindo filme emotivo da Dilma com suas falas decoradas e cordas de marionetes. Melhor levar meu cobertor para a sala.

Para finalizar, o clássico “Serra comedor”:
“como o Alex, como a mãe dele, como a Vânia, como o Damião e como a dona Maria".






Luã Quintão.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Não digite 45


Quase sem tempo, estava muito curioso em relação às propagandas eleitorais gratuitas na TV. Como dito, quase sem tempo, decidi perder o ônibus para vê-la.
De cara, o primeiro candidato a fazer suas propostas foi o tucano José Serra. E é nele que irei focar neste post.

José Serra, economista e político. Já foi deputado, senador, ministro, prefeito e governador. Hoje, um dos candidatos à presidência brasileira com mais probabilidade de ocupar o cargo. – Fato lamentável.
Em meio de sua propaganda, puramente decorada e forçada, José Serra citou inúmeras vezes seus feitos pelo Brasil: “Eu construí várias escolas, hospitais, estradas...”. Todas ditas com ar burguês.
Mas, o que mais me chamou a atenção, foi uma cena em que José Serra, ao lado de uma senhora, que supostamente sofria de alguma doença nos olhos, conversavam sobre a “vida”. Até então, tudo bem. A senhora relatou que tempo atrás não enxergava quase nada, e que fizera uma cirurgia na qual melhorou muito sua visão. Então, José Serra, hipocritamente, segurou em suas mãos delicadas e disse: “Graças a mim, você voltou a enxergar”. Isso! Ele pôs o mérito da recuperação da senhora... NELE mesmo. Hipócrita. NADA, deve ser rotulado como feito de uma só pessoa, nesse caso José Serra. Escolas, hospitais e estradas não foram construídos com o dinheiro dele, foi com o nosso. Isso e muito mais, é o nosso direito. Políticos que deixam o mérito como exclusividade, devem ser repelidos.

Outro fato que me deixou irritado, foi quando Serra citou que participou do plano real. Como se tivesse sido um dos melhores planos econômicos do Brasil. De fato, o plano real controlou a inflação, porém, aumentou o desemprego, desnacionalizou a economia e ainda concentrou a renda na burguesia. O plano levou o país ao caos econômico e à miséria social.
A intenção dele, ao pronunciar isso na propaganda, foi atingir pessoas leigas. Na maioria, os pobres, que provavelmente viram este plano real, quando dito pelo candidato, como um mar de rosas.
Por isso me pergunto, um candidato desses merece governar nosso país?
Não mesmo.

Digitar 45 seria aprovar uma nova fase do capitalismo no Brasil, repleta de injustiça social, privatização de estatais e desigualdade.




Luã Quintão.