terça-feira, 23 de outubro de 2012

Viva España!

O repertório da sétima e última apresentação da Série Concertos Sinfônicos, da Orquestra Filarmônica do Estado do Espírito Santo (Ofes) será "Viva España". O concerto será na próxima quinta-feira (25) no Theatro Carlos Gomes, às 20 horas. Os ingressos custam R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia).

Com regência do maestro titular Helder Trefzger e participação da solista Ana Vidovic, a apresentação será toda inspirada no ritmo e cultura espanhola, incluindo obras dos compositores espanhóis Manuel de Falla, Joaquín Rodrigo e Maurice Ravel, grande compositor francês, que tinha profunda admiração pela cultura espanhola.

O programa será aberto com a Suíte 1 do ballet El sombrero de tres picos (O chapéu de três pontas), obra-prima de Falla. A orquestra apresentará também a Rapsódia Espanhola, escrita por Ravel em 1907, partitura rica em danças e coloridos orquestrais.

Para completar o programa, o célebre Concerto de Aranjuez, composto por Joaquín Rodrigo. A obra é uma das mais populares do repertório clássico, sendo que o seu segundo movimento, famoso pelo solo de corne-inglês, recebeu até uma versão com letra, "Aranjuez mon amour".
Destaque para a participação da solista Ana Vidovic, nascida na pequena cidade de Karlovac, na Croácia, virtuose e prodígio do violão. Desde que iniciou a sua carreira em 1988, Ana Vidovic já realizou mais de mil apresentações. Tem tocado em locais como Nova York, Londres, Paris, Viena, Salzburg, Roma, Budapeste, Varsóvia. Tel Aviv, Oslo, Copenhague, Toronto, Baltimore, São Francisco, Houston, Austin, Dallas, St. Louis, dentre outros.

Serviço:
Série "Série Concertos Sinfônicos"
Viva España!
Obras de: Falla, Rodrigo e Ravel
Regência: Maestro Helder Trefzger
Solista: Ana Vidovic, violão

Local: Teatro Carlos Gomes
Data: 25/10
Horário: 20h

Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia). Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro a partir do dia 19/10. Telefone: 3132-8399

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Liberdade, sexo e paixão


O nome pode soar meio estranho, mas “Febre do Rato”, acredite, é um filme excelente. O longa marcou o lançamento da 19° edição do Vitória Cine Vídeo e contou com a presença do diretor pernambucano, Claudio Assis.

Quanto às críticas... melhor expressar a minha: Polêmico, chocante e verdadeiro. É assim que defino o ‘Febre do Rato’.

Levando em conta o meu apreço por coisas levemente exóticas, digamos, é possível certo repúdio das pessoas. Isso porque o filme é repleto de imagens fortes, com sexo, drogas e forró nordestino. Nada fora do clichê dos cinemas, se não fosse o teor excessivo das respectivas imagens.

Nas cenas de sexo, um banquete com direito a nudez total, sexo explícito, masturbação, maquina de xerox, urina e homossexualidade. A maconha esteve presente em pelo menos 90% da história. E o bom forró nordestino embalou o clima do drama.

Há quem considere as cenas de nudez, nas quais percorreram do começo ao fim, um mero atentado ao pudor ou, até mesmo, que pairam a pornografia. De fato, a clareza com que o autor decidiu mostrar tal aspecto é explícita. Mas, cabe a cada pessoa a interpretação.

Deixando de lado as cenas excessivas e, para tantos, desnecessárias, o filme em si conta a história de um poeta anarquista, vivido por Irandhir Santos, que vive num mundo pessoal e promíscuo, onde tanto a mulher quanto o homem não se diferem.

Além de orgia, a provocação, o corpo dividido em pedaços de xerox...  o filme fala de paixão. Paixões sem limites, raça, tamanho, peso, altura, classe social e qualquer outra diferença. Fala de igualdade e liberdade. 

A fotografia marcante, a imagem em preto e branco, a naturalidade da atuação e a poesia. Uma composição agradável que faz do longa um grande clássico.

Liberdade, sexo e paixão. Fim. 

Trailer:

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Humor: A Charge de Amarildo


Sexo, drogas e massacre


Há aqueles que nos finais de semana gostam de uma boa balada. Há aqueles que curtem uma viagem. E há aqueles que preferem morgar em casa, se recompondo culturalmente com bons filmes. Aos adeptos da ultima opção, vou sugerir dois filmes incríveis e, modéstia parte, de muitíssimo bom gosto: 

'We Need to Talk About Kevin' ou, no português, 'Precisamos Falar Sobre o Kevin'. Um ótimo filme, que é adaptação de um livro, para quem gosta - como eu - de uma relevante e singela adição de drama ao que já era, por si só, dramático. Tilda Swinton está excepcional protagonizando a obra que transmite certa agonia boa. Não consegui tirar os olhos da tela por nenhum instante. Sem contar que o final é in-crí-vel e extremamente chocante - isso para quem não conhecia a história do livro, como no meu caso. Contudo, fica a dica de um ótimo filme para o final de semana. 

Trailer:

Tem gente que não paga nada pela kristen Stewart. Pois bem, quero deixar claro que admiro seu trabalho desde sua atuação em ‘The Runaways’. Mas, depois de vê-la em “On The Road”, passei a gostar mais ainda. Seus papeis como ‘drogadinha rebelde’ são ótimos. 

- E fica como sugestão de filme, o clássico '“On The Road”. Ele esta em cartaz no Cinejardins, mas já está disponível na internet, com sessões todos os dias às 20h55.

Trailer:

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Frase da semana


Naqueles dias turbulentos ele não deveria atacar Lula e Dirceu a um só tempo. O Lula não sabia nem onde apagava a luz, o Dirceu tinha controle total do governo. Então o alvo foi o Dirceu.
Luiz Barbosa, advogado de Roberto Jefferson no Mensalão, ao dizer que aconselhou seu cliente a negar a participação de Lula no mensalão




Via Blog do Noblat

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Fábrica de políticos


“Propaganda é a alma do negócio”. Um tanto quanto clichê, mas, no momento, é a frase que melhor se encaixa na descrição do sistema eleitoral brasileiro. No cume da era das redes sociais, tecnologia e da globalização, o modo de como os candidatos se apresentam, ou melhor, se vendem ao público – digo população – faz toda a diferença.

Considerada o quarto poder, a mídia é a ferramenta ideal para tal processo de divulgação da imagem dos políticos. Tanto a rádio, a televisão, meios impressos e a internet – focando nas redes sociais, como o Facebook, Twitter, Orkut entre outras, fazem parte dos recursos utilizados pela equipe marketeira dos candidatos.

Analisando bem, esse processo nada mais é do que uma junção de poderio que inclui, ainda, equipes especializadas em marketing político, na qual possuem a função de elaborar estratégias capazes de fazer com que seu candidato seja ao menos bem visto pelos eleitores. E é aí que chegamos ao ponto principal: as eleições não passam de uma competição de imagem, popularidade e status. Vence o candidato cuja equipe marketeira conseguiu fazer com que a população acreditasse em todo o discurso demagógico.

Se pudessem, os políticos ganhariam eleições sem ao menos disputá-las.

Um fato que podemos avaliar para mostrar esse aspecto do qual é relativo ao modo como as campanhas eleitorais são concebidas e organizadas, é o famoso encontro entre o ex-presidente Lula e Paulo Maluf, que selou o apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo, que enseja diversas discussões a respeito de nosso sistema político.

Como em qualquer outro lugar, aqui no Brasil é usada uma lógica pouco usual: ao contrário de seguir a regra da economicidade - em que se busca o mínimo desperdício de recursos para a consecução dos fins pretendidos -, prevalece o princípio da redundância.

Em suma, é mobilizado muito mais recursos para alcançar os objetivos estabelecidos. Sendo assim, investe-se além do que é racionalmente exigido. Isso ficou claro no debate sobre o tempo de propaganda eleitoral que o PT ganhou aliando-se a Maluf. Afinal, quanto mais espaço e tempo disponíveis, seja qual for o tipo de mídia, melhor para o candidato.

Para se ter ideia do quão valioso é um mísero tempo na televisão para a propaganda eleitoral, Lula se dispôs a um “sacrifício de imagem” posando ao lado de um político contra quem pesam graves denúncias, para receber, em troca, 1min36s de televisão.

Daí surge à dificuldade de muitas pessoas - até mesmo observadores experientes - entenderem este gesto do ex-presidente. Valeria a pena se autodenegrir por uma campanha política, até então, alheia?



Por Luã Quintão

LULA, MALUF & HADDAD

"Tu é nosso e nós é teu"
    VIA OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

Assim como a foto em que Lula confraterniza com Paulo Maluf, a abstrusa frase do título (constante de um diálogo flagrado no “escândalo Cachoeira”) permanecerá como índice da falência moral do espaço público brasileiro.Índice, na análise dos discursos, é um dos três tipos de signos possíveis, ao lado do ícone (referente ao funcionamento da imagem) e do símbolo (domínio dos sistemas linguísticos predominantes no discurso cotidiano).
Passando por cima de maior detalhamento acadêmico, assim se pode resumir o conceito: para responder a uma pergunta do tipo “onde está o incêndio?”, o indivíduo recorre a um índice, que consiste em apontar para o fogo com o dedo, estabelecendo uma conexão dinâmica entre o dedo e o incêndio. Há um laço existencial, de contiguidade entre o índice e a referência. Os sintomas são sempre indiciais.
Isso explicado, permitimo-nos acrescentar aos dois já mencionados, um terceiro índice, vindo do exterior: Um artigo do jornalista David Carr no The New York Times(11/6/2012) relata uma “preocupação crescente no sentido de que a queda dos valores e a falência dos modelos comerciais de muitos jornais americanos possam levar a uma situação em que interesses econômicos comprem jornais e os usem para praticar uma agenda política e comercial”.
Evidentemente, essa agenda sempre esteve implicada em qualquer empresa jornalística. Mas o que o articulista está pondo em questão é a exclusividade da agenda, ou seja, jornalismo futuro como nada mais além disso. Segundo ele, esse futuro parece ter chegado a San Diego, na Califórnia, onde o diárioThe U-T San Diegoacaba de ser comprado por um empresário local – Douglas F. Manchester, hoteleiro e incorporador imobiliário – que se apresenta como uma espécie de folheto para os seus vários interesses. Manchester é contra governo de bem-estar social, cobrança de impostos e casamento gay. É a favor da especulação imobiliária na reforma do centro de San Diego.
Consciência moral
Ora, esse tipo de interesse sempre pôde estar implícito no funcionamento de qualquer corporação de mídia, como bem se sabe. O que há de novo aqui é que Manchester e seu sócio John T. Lynch são explícitos quanto aos seus motivos: “Nós não pedimos desculpas. Estamos fazendo o que todo jornal deve fazer, ou seja, tomar posições. Somos pró-conservadores, pró-negócios, pró-militares”. Editores que pensem o contrário são demitidos.
David Carr explica a sua indignação:
“Muitos de nós cresceram em cidades onde o jornal diário estava associado a líderes cívicos, e o interesse privado se expressava geralmente na página editorial. Uma vez por outra, a apuração devida podia ser suspeitamente ignorada na cobertura, mas as páginas noticiosas eram exatamente isto, notícias”.
Agora, como precisamente se relacionam o jornal de San Diego, a frase abstrusa do escândalo e a foto Lula-Maluf? Ao olhar do observador, no fenômeno generalizado da queda das aparências morais.Moral, bem se sabe, é um conjunto de prescrições normativas, consideradas a partir de coordenadas de tempo e lugar, relativas à formação do caráter e da conduta dos indivíduos. As prescrições aparecem socialmente como regras, manifestadas em atitudes e comportamentos capazes de orientar a vida individual e coletiva, com referência a valores aceitos pela comunidade.
Sempre se pode questionar a validade de um determinado ordenamento moral; e, no fogo das mutações ditas “pós-modernas” (revolução sexual, liberação dos costumes etc.), a moralidade andou em desprestígio, ganhou uma aura de caretice. Mas é inquestionável a força da relação entre consciência moral e a sociedade que se deseja. A moralidade está posta em relação com a comunidade, entendida como o locus da reciprocidade entre os atores da vida social.
De fato, para a maior parte dos pensadores sociais do século 10, própria ideia de comunidade humana é sustentada pelo pressuposto de um compromisso “moral”, entendido como “aspiração” original e civilizada. Por isso, a consciência moral é necessariamente uma instância reflexiva. No horizonte do jornalismo e da alta política, sempre se tentou ter à vista uma boa medida de consciência moral ou, pelo menos, manter as aparências de moralidade como um cuidado pedagógico para com as gerações futuras.
Tempo na tevê
Ora, com a contínua perda de força axiológica (o enfraquecimento dos valores) das estruturas sociais, as ações não têm hoje por que se orientar na direção de grandes fins ou de horizontes esperançosos. A contemporaneidade parece não fazer outra coisa, senão substituir o antigo escopo ético-social por critérios afins à lex mercatoria, a economia de mercado, onde predominam o dinheiro e a mercadoria como conteúdos fundamentais do espírito público. Sem esse mesmo escopo, também a democracia representativa perdeu os limites dados pelas próprias aparências de consciência moral. A consciência já não dói mais.
Daí, o retorno da indignação – a velha e “careta” indignação! – como recurso político (ainda que precário) das massas, sobretudo dos jovens nas praças orientais e ocidentais, contra a desorientação existencial provocada pela falência dos valores. Em seu artigo, David Carr, o jornalista não faz muito mais do que se indignar. É o mesmo sentimento da política Luíza Erundina e dos leitores de jornais frente à foto em que Maluf, abraçado a Lula e ao aspirante Fernando Haddad, sorri ante a sua agora plausível recomposição de imagem na cena pública. Afinal de contas, o que é a moral frente a um minuto a mais de tevê?
Os jornais não transcreveram uma frase sequer do que realmente se conversou. É analiticamente viável, portanto, levar a sério o conceito de índice para sugerir como legenda da foto a frase emblemática: “Tu é nosso e nós é teu”.